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COMO O SONO PODE MELHORAR A IMUNIDADE

COMO O SONO PODE MELHORAR A IMUNIDADE

Com a disseminação do novo coronavírus, uma das questões que não sai da cabeça das pessoas, é de como manter uma imunidade boa para que, em caso de contaminação, a doença não cause agravantes. Hábitos saudáveis e boas noites de sono são essenciais quando o assunto é qualidade de vida, pois influenciam diretamente no sistema imunológico.

É durante o sono noturno que nosso corpo produz vários hormônios importantes para o organismo, regenera as células de defesa e fortalece o sistema imunológico. Não dormir a quantidade de horas necessária para a sua idade ou não ter um sono de qualidade afeta tanto a saúde do nosso corpo quanto da mente.

Além disso, segundo especialistas do sono, uma sequência de noites mal dormidas é um dos principais vilões do sistema de defesa do organismo. Quando se dorme bem, nosso corpo acorda revigorado e pronto para o dia que está por vir. Já quando não dormirmos bem, o cansaço persiste e o estresse pode ser intenso no dia seguinte, afetando ainda mais o sistema imunológico.

Em tempos conturbados como o que estamos vivendo, manter uma boa qualidade de vida é de extrema importância para se proteger de doenças e, principalmente, do Covid-19. Por isso, separamos algumas dicas essenciais para o momento. Confira!

Crie uma nova rotina

Sabemos que não é fácil mudar de rotina. Entretanto, para se adequar à situação que estamos vivendo, é importante estabelecer novos hábitos. Trabalhar em casa, restringir as saídas, cuidar dos filhos, da casa e de outros deveres pode ser difícil no começo. Entretanto, a partir do momento que você conseguir criar uma rotina agradável, tudo ficará mais leve.

Tenha boas noites de sono

Como já dito anteriormente, ter boas noites de sono é essencial para o equilíbrio do organismo e o fortalecimento do sistema imunológico. E para conseguir ter um descanso saudável, é muito importante que tanto a cama quanto os travesseiros sejam confortáveis e ideais para o seu tipo físico e gosto pessoal

Ao dormir, dê preferência à postura lateral, a mais recomendada pelos ortopedistas, e faça o uso de dois travesseiros, sendo um para cabeça e outro entre os joelhos, que deverão estar semiflexionados.

O travesseiro ideal deve ter altura suficiente para preencher completamente o espaço existente entre a cabeça e o colchão, mantendo o pescoço alinhando com a coluna cervical. Ao usar o travesseiro correto, seu corpo consegue alcançar o conforto desejado, evitando os pequenos despertares, cansaço no dia seguinte e aumento do estresse.

Mantenha hábitos saudáveis

Se você já tem hábitos saudáveis, continue assim. Entretanto, para quem não tem o costume de comer alimentos naturais, ricos em vitaminas e que beneficiam o sistema imunológico, essa é a hora de mudar.

Normalmente uma alimentação balanceada garante os níveis exatos de vitamina D. Portanto devemos sempre manter esse hábito, ainda mais com a pandemia que estamos vivendo. Nesse sentido, evite alimentos industrializados, bebidas alcóolicas, uso de cigarros – os quais podem agravar ainda mais ou causar problemas respiratórios – e frituras. Opte por comidas leves e nutritivas, que tragam mais vitaminas para o seu corpo e, consequentemente, ajude a prevenir doenças.

Pratique exercícios físicos em casa

Segundo estudo da Urho Kekkonen Institute for Health Promotion Research, da Finlândia, a prática de exercícios físicos é uma grande aliada à qualidade do sono e, consequentemente, da qualidade de vida. Quem pratica esportes melhora seu humor, reduz o estresse e depressão, ajuda a manter o peso adequado, melhora os hábitos de sono e aumenta a autoconfiança.

Durante a quarentena, ficar em casa pode fazer com que as atividades físicas diminuam, uma vez que as idas às academias não fazem mais parte da rotina. Entretanto, não devemos parar com as atividades. Uma dica é assistir os diversos vídeos de exercícios que estão disponíveis na internet para manter esse hábito saudável.

Tome sol

A vitamina D é importante para o corpo e se expor ao sol é uma boa maneira de obter esse nutriente. Estudos mostram que pessoas com deficiência de vitamina D são mais propensas a ter falhas no sistema imunológico. Por isso, na impossibilidade de sair de casa, aproveite as varandas, sacadas ou janelas para se expor ao sol. Apenas 20 minutos por dia com os braços expostos aos raios, sem protetor solar, já traz os benefícios da vitamina.

Lembre-se, hábitos saudáveis e boas noites de sono devem estar presentes em todos os momentos da vida. Siga nossas dicas e melhore sua imunidade!

Informações Científicas

Com o objetivo de analisar a relação entre os sistemas nervoso e imunológico, um grupo coordenado por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) investigou como a privação de sono impacta as respostas imunológicas em três situações distintas: na asma alérgica, na malária e na imunoterapia contra tumores. Para isso, os pesquisadores induziram em camundongos distúrbios na fase REM do sono (sigla em inglês para Rapid Eye Movement), a mais importante para o descanso e o equilíbrio do organismo.

Em uma das pesquisas, o grupo avaliou se o estresse causado pela privação de sono poderia interferir na imunidade natural durante o processo de desenvolvimento da malária. No outro estudo, procurou-se saber o impacto em um tratamento para câncer, utilizando um imunoterápico desenvolvido por uma empresa japonesa. No terceiro, o objetivo foi entender se o estresse pioraria uma doença inflamatória preexistente, no caso, a asma.

“Nosso objetivo com esse conjunto de pesquisas é melhorar a compreensão da relação bidirecional entre os sistemas nervoso e imunológico, contribuindo para o desenvolvimento de novas formas de intervenção em doenças inflamatórias, imunoterapia, imunoprofilaxia e no tratamento de transtornos neurológicos”, disse Alexandre Keller, da Unifesp.

Keller e Daniela Santoro Rosa, ambos professores do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da instituição, coordenaram as pesquisas que desenvolveram em parceria com a professora Monica Levy Andersen, do Departamento de Psicobiologia da universidade. Os estudos foram financiados pela Fapesp por meio de quatro Auxílios à Pesquisa (2012/04692-12014/15061-82017/17471-7 e 2019/11490-5).

Imunovigilância contra tumores

Vários trabalhos científicos já descreveram que a resposta de estresse prejudica a imunovigilância contra tumores, porém, pouco se sabe sobre sua influência sobre a atividade dos linfócitos NKT (sigla em inglês para natural killer T cells, ou células T assassinas naturais). Essas células influenciam uma série de respostas imunológicas, incluindo a imunovigilância, e por isso são de interesse para quem busca desenvolver tratamentos contra diversos tipos de câncer.

Os pesquisadores utilizaram um modelo de metástase pulmonar experimental para determinar o impacto da privação de sono sobre a imunoterapia com alfa-galactosilceramida, um glicolipídeo empregado em estudos clínicos (fora do Brasil) contra diversos tipos de cânceres. “Os animais foram inoculados com células de melanoma capazes de expressar esse glicolipídeo em sua superfície, sendo em seguida expostos à privação de sono”, disse Keller.

“Até agora, a eficiência dessa abordagem tem se mostrado excelente em camundongos, mas está abaixo do esperado em humanos e não se sabe os motivos”, disse o pesquisador. Um dos pontos de investigação sobre o que pode causar o problema é o efeito do estresse. No caso, os pesquisadores avaliaram, de forma inédita, o impacto do distúrbio de sono na eficácia do imunoterápico.

Segundo Keller, mesmo com o aumento de corticosterona (o hormônio do estresse em animais, equivalente ao cortisol em humanos), a resposta induzida pela alfa-galactosilceramida foi capaz de controlar o desenvolvimento tumoral. “Nosso trabalho mostra que essas células, nesse modelo, não são afetadas pelo estresse, ou seja, em teoria, elas continuam sendo um alvo interessante para imunoterapia, mesmo durante episódios de estresse”, disse. Os resultados foram publicados no periódico Brain, Behavior, and Immunity.

Defesa contra patógenos

Outra circunstância que os pesquisadores queriam estudar era o impacto do distúrbio de sono na resposta natural do organismo contra um patógeno. No caso, eles analisaram protozoários do gênero Plasmodium causadores da malária e transmitidos por meio da picada de fêmeas do mosquito Anopheles. “Mostramos que haverá diminuição da eficácia da resposta de anticorpo se o distúrbio de sono ocorrer a partir de um determinado ponto do processo de desenvolvimento da resposta natural contra o patógeno”, disse Keller.

Utilizando um modelo de malária murina, em que a produção de anticorpos tem papel crítico na sobrevivência do hospedeiro, observaram a resposta imune se desenvolver em uma curva de tempo conhecida como janela imunológica. A privação de sono foi imposta ao modelo em diferentes períodos. Antes ou logo após a infecção, não afetou a resistência do hospedeiro ao parasita. Quando a privação ocorreu três dias após a infecção, os animais sucumbiram.

O ponto crítico do processo, segundo os pesquisadores, se dá no início da montagem da resposta imune adaptativa. Nessa fase, o linfócito T atua junto com o linfócito B para montar a resposta ao patógeno, ou seja, estimular a produção do anticorpo e trazer a imunidade.

“Conseguimos observar que, se você houver um episódio de estresse durante a fase de diferenciação do linfócito T, processo que vai levar à ativação do linfócito B e à produção de anticorpos, haverá uma diminuição da eficiência da resposta, e com isso o organismo fica mais suscetível à infecção”, disse Keller.

O artigo Sleep Disturbance during Infection Compromises Tfh Differentiation and Impacts Host Immunity, que descreve a pesquisa e seus resultados, foi publicado na iScience.

Privação de sono e asma

Para avaliar o impacto da privação de sono em uma doença inflamatória preexistente, os pesquisadores estudaram a asma alérgica, que pode variar de intermitente a persistente grave. Pacientes que sofrem de asma grave, com presença marcante de neutrófilos, são, frequentemente, refratários ao tratamento por corticoide e este tipo de manifestação clínica tem sido associado a diversas comorbidades, incluindo a apneia obstrutiva do sono, em que a respiração para e retorna diversas vezes.

O estudo mostrou que o distúrbio de sono poderia aumentar a gravidade da resposta inflamatória nos camundongos, ou seja, um organismo que apresentava um quadro de asma mais leve poderia evoluir para o nível grave por conta da falta de sono, se tornando, inclusive, resistente ao tratamento com corticoide.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores utilizaram um modelo de alergia experimental, em que camundongos são induzidos a desenvolver uma resposta inflamatória pulmonar do tipo Th2, com predomínio de eosinófilos, um tipo de glóbulo branco do sangue que desempenha papel importante na resposta a asma e outras doenças, e de citocinas como IL-4 e IL-13, responsáveis por ativar, mediar ou regular a resposta imune. Ao ser submetido à privação de sono durante a exposição ao alérgeno pelas vias aéreas, os animais apresentaram alteração na resposta inflamatória Th2 para um perfil Th17, com predomínio de neutrófilos e IL-17, fenômeno resistente ao tratamento com o corticoide dexametasona.

Apesar dos mecanismos envolvidos nesse fenômeno ainda não estarem esclarecidos, esse estudo indica que os distúrbios de sono, e possivelmente outras situações de estresse, são fatores de risco para a evolução da gravidade da asma alérgica. Esse estudo está descrito em artigo publicado no The Journal of Allergy and Clinical Immunology.

Essas pesquisas fazem parte de um conjunto maior de estudos que ainda estão em andamento e focam no entendimento mais amplo da relação bidirecional existente entre os sistemas nervoso e imunológico. “Se a imunoterapia não funciona porque tem uma influência forte do sistema nervoso, é possível pensar em interferir nos neurotransmissores, nos receptores, por exemplo”, disse Keller.

Ou seja, ainda que os estudos não tenham aplicação clínica imediata, os conhecimentos obtidos permitirão, no futuro, traçar caminhos de intervenção. “Ao entendermos como a resposta do estresse interfere no sistema imunológico, conseguimos ampliar as alternativas possíveis de agir junto ao sistema imune ou nervoso para um tratamento médico”, disse o pesquisador da Unifesp.

Quero saber mais: https://www.scielo.br/pdf/rbp/v29s1/a07v20s1.pdf

Fonte:

https://revistagalileu.globo.com/

https://pneumosono.com.br/

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