);
Widget Image

Atendimento especializado e descomplicado em Medicina do Sono e Neurologia. Dormir bem é algo essencial para ter qualidade de vida.

Agende uma consulta clicando aqui!

Últimas postagens

HORÁRIO DE ATENDIMENTO: 08:00 - 17:00
ESTAMOS EM: MANAUS
CONTATO: (92) 99901-5080 / (92) 99192-3240 / (92) 3659-3240
SIGA-NOS:

O Tratamento da Espasticidade com Toxina Botulínica

O Tratamento da Espasticidade com Toxina Botulínica

O que é a espasticidade?
A espasticidade é uma perturbação da ativação muscular que ocorre quando existem lesões do sistema nervoso central, como é o caso das lesões cerebrais que resultam de um AVC. A espasticidade é uma perturbação da ativação muscular que afeta cerca de 30% das pessoas após um AVC. Nos casos em que se manifesta, esta perturbação caracteriza-se pela hiperativação de alguns grupos musculares em resposta a estímulos inespecíficos como o frio, a febre, a ansiedade, um bocejo, um susto ou a dor. Em consequência, podem surgir dificuldades no controle dos movimentos voluntários e portanto na realização das atividades de vida diária e na deambulação autônoma. Em doentes mais incapacitados, dificulta o seu manuseamento e a prestação de assistência por parte dos cuidadores. Por outro lado, pode dar dor, perturbar o sono e, a médio prazo, levar ao estabelecer de deformidades definitivas.

Como otimizar o tratamento da espasticidade?
Para otimizar o tratamento da espasticidade, há que planear e implementar um programa abrangente, intensivo e multimodal, que associe educação, prevenção, agentes físicos, fisioterapia/terapia ocupacional, exercício e farmacoterapia.

Quando começar o tratamento da espasticidade? E quando usar a toxina botulínica tipo A? Mais cedo? Ou mais tarde após o AVC?
Dependendo da intensidade e localização, a espasticidade pode interferir de diversos modos na qualidade de vida e na capacidade de recuperação funcional das pessoas afectadas, bem como na sobrecarga imposta aos seus cuidadores. Por isso, deve ser tratada assim que se manifeste e constitua uma dificuldade acrescida para a reabilitação, a autonomia e o bem estar das pessoas afetadas ou dos seus cuidadores.  A toxina botulínica tipo A é o tratamento farmacológico de primeira linha, para doentes com lesões cerebrais, e deve ser integrado num plano global de reabilitação multimodal e educação/capacitação do doente e cuidadores.

Qual a utilidade da toxina botulínica tipo A na fase inicial versus fase tardia após um AVC?
A melhor evidência científica disponível e as guidelines de consenso internacionais mais recentes demostram claramente o benefício do tratamento, quer na fase aguda e post-guda (até aos 6 meses), quer na fase crónica (depois de 6 meses) após um AVC. O maior estudo multi-cêntrico internacional, com mais de 450 doentes, levado a cabo em centros de investigação clínica de todo o mundo, demonstrou que a toxina é eficaz, segura e benéfica para os doentes espásticos nas diferentes fases. Nomeadamente os objetivos de funcionalidade ativa (auto-cuidados e outras atividades de vida diária, deambulação, marcha) são mais frequentes na fase post-aguda. Na fase crónica, os objetivos de tratamento prendem-se mais frequentemente com o controlo de sintomas (dor, espasmos), facilitação dos cuidados (mobilização, higiene, vestuário, posicionamento, alimentação, colocação de ortóteses) e prevenção das deformidades.

Aplicação de Toxina Botulínica para Tratamento da Espasticidade

A espasticidade é uma das principais complicações neuromotoras do acidente vascular cerebral. Caracterizada por um aumento da atividade muscular, de forma involuntária, que resulta em adaptações na morfologia muscular, esta condição prejudica o desempenho funcional do sistema locomotor, incluindo músculos e articulações.

A capacidade de recuperar a funcionalidade muscular, comprometida pela espasticidade, está relacionada a diversos fatores. Entre eles, a associação de fisioterapia à aplicação de toxina botulínica é uma das alternativas que vem demonstrando melhores resultados.

Mecanismo de Ação da Toxina Botulínica

Produzidas pela bactéria Clostridium botulinum, as neurotoxinas botulínicas são as toxinas mais potentes conhecidas até o momento, combinando mecanismos de ação extremamente específicos com uma alta toxicidade. Entretanto, diversas utilidades médicas estão sendo descobertas para estas substâncias que, há alguns anos, eram caracterizadas apenas pela sua periculosidade.

A toxina botulínica ou Botox, como é conhecida popularmente, atua nos terminais nervosos da junção neuromuscular, inibindo os moduladores que ativam a contração do músculo. Dessa forma, é de grande utilidade para o tratamento de distúrbios em que ocorra excesso de contração muscular.

Seu uso está bem estabelecido para o tratamento da espasticidade que interfere na função (marcha, higiene, vestimenta, escrita), causa dor ou é fator de risco para complicações (anquilose, úlceras de pressão, disfagia, automatismos).

Aplicação e Efeitos

A aplicação é realizada no local onde é necessário o relaxamento da musculatura e o seu efeito é transitório, devido ao brotamento de novos terminais nervosos, que restauram a função das fibras musculares relaxadas. Porém, o retorno da função muscular coincide também com a recuperação funcional das placas motoras.

Seu efeito tem início entre 24 a 72 horas da aplicação, o paciente percebe o início da melhora clínica entre 14 a 21 dias. A duração do efeito é variável entre 2 a 6 meses, em média 4 meses e de acordo com o efeito da aplicação, é recomendado um intervalo mínimo de 3 a 4 meses entre as aplicações, por causa do risco criação de memória imunológica.

Os possíveis efeitos colaterais da aplicação de toxina botulínica estão relacionados, principalmente, à realização da infiltração. Os mais frequentes são dor, edema ou pequenos hematomas, que podem ser facilmente resolvidos com o uso de antitérmicos, analgésicos e cuidados locais, como aplicação de gelo, desaparecendo em alguns dias.

Contribuição da Toxina Botulínica para a Fisioterapia

Existe uma forte relação entre a plasticidade neural e a reabilitação. A importância da fisioterapia para a reabilitação neurológica está no fato de que, a partir da região cerebral não afetada, os tecidos residuais e suas conexões com a área lesada restauram e reorganizam a rede neural para recuperar a função.

No ambiente da reabilitação funcional ou fisioterapia, que é rico em estímulos sensoriais, cognitivos e motores, com suas novas demandas ou formas de exercício, essas redes neurais podem representar novos movimentos ou fortalecer os já existentes, promovendo a reabilitação.

A toxina botulínica possui grande eficácia para o tratamento da hipertonia local, facilitando o processo de fisioterapia, pois com a redução da contração muscular excessiva, ocorre diminuição da resistência ao movimento, promovendo também um ganho da amplitude do movimento na articulação comprometida.

Além disso, o mecanismo de ação da toxina botulínica é baseado na redução da atividade muscular, mas não exerce nenhum efeito sobre a precisão e controle do movimento. Estas capacidades serão reabilitadas durante a fisioterapia, com a prática de exercícios com repetição de movimentos.

Dessa forma, a associação entre a toxina botulínica e a fisioterapia para o tratamento da espasticidade é fundamental na reabilitação das regiões comprometidas, promovendo melhoras na capacidade funcional e também na morfologia muscular.

Em suma, a toxina botulínica só ganha sentido de ser aplicada se for em conjunto com atividades de fisioterapia e de preferência com intensificação da mesma e com objetivos de melhora da ortetização, da higiene de dobras, melhora da manipulação ou do ato de vestir e desvestir, melhora da marcha, melhora de função, melhora da velocidade e do gasto energético com os movimentos.

Quer saber se a toxina botulínica é uma opção de tratamento para o seu caso? Marque uma consulta e deixe-nos tirar todas as suas dúvidas.

VÍDEO

Fontes para acadêmicos

O USO DA TOXINA BOTULÍNICA NO TRATAMENTO DA ESPASTICIDADE (PDF)

Toxina botulínica A e intervenção fisioterapêutica no tratamento do ombro doloroso pós acidente vascular cerebral: relato de caso

Fonte:
http://cmra.pt/
https://www.willianrezende.com.br/

No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.